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Educação cidadã: potencializar para transformar

Por institutoestre

Visita de educação ambiental em Paulínia

Rodolfo, analista de projetos do Instituto Estre, mostra a maquete do aterro em visita realizada no centro de educação ambiental de Paulínia (SP).

Desde dezembro de 2007, quando surgimos, o Instituto Estre sempre buscou enfatizar a preocupação em organizar e aplicar oficinas para educação ambiental de grupos e educadores como cerne da atuação para atingir transformações positivas para a sociedade. Além da educação ambiental, outros aspectos importantes – como a participação em eventos relacionados ao tema e a criação de um percurso interno para a capacitação de educadores ambientais, entre outras iniciativas – também foram colocadas em prática e selaram um case de sucesso que, hoje, já atingiu mais de 300 mil pessoas participantes dos projetos.

A organização da sociedade civil Instituto Estre se tornou referência nacional em educação ambiental e, para contar essa e outras histórias que fazem do nosso espaço também um palco de debate sobre consumo, conversamos com Alciana Paulino, gerente de educação do Instituto Estre, presente nas atividades da organização desde o início.

Foto institucional

Alciana Paulino, gerente de educação do Instituto Estre. Foto: Simone Esaki

Em 2007, já prestava serviço para o Instituto, contribuindo na confecção das oficinas pedagógicas que seriam aplicadas pelos educadores. De prestadora de serviço pelos cinco primeiros anos, foi convidada a entrar para a equipe, em 2012, como coordenadora de projetos e assistente da gestora de educação, Fernanda Belizário, uma das grandes responsáveis pela metodologia desenvolvida. No mesmo ano, foi fundada a sede em Fazenda Rio Grande, no Paraná, onde o trabalho também tem sido consolidado com fortes parcerias com secretarias municipais de educação, que arrastou a presença até a capital Curitiba, metrópole vista como modelo de sustentabilidade no Brasil.

O Instituto Estre investe não apenas na formação das crianças e grupos em oficinas de educação ambiental, mas paralelamente também aposta em seus colaboradores e em toda a cadeia de profissionais envolvida nas operações do gerenciamento de resíduos da Estre. “O Instituto me pegou pela possibilidade de repensar a educação ambiental. Não tinha tanto contato com a área”, conta Alciana Paulino. Cooperativas de reciclagem, centro de valorização de resíduos são exemplos de ações que zelam pelo menor impacto ambiental nos aterros administrados pela mantenedora, a empresa Estre Ambiental.No ano seguinte, 2013, Alciana assumiu a gestão pedagógica, e em 2016 foi inaugurada mais uma sede, desta vez no nordeste, em Rosário do Catete, Sergipe. Quatro anos depois, em 2017, Alciana agora passará a responder também como responsável pelo centro de educação ambiental de Paulínia, em São Paulo, o primeiro dos três criados ao longo da última década. “Estou levando minha perna, meu braço, e meu coração. Queria ter uma experiência fora de São Paulo e acho que vai ser legal estar mais perto do centro de educação ambiental”, confessa a gestora, cheia de boas expectativas.

Em um raio-x do Instituo Estre, o programa de oficinas pedagógicas basicamente começa com a formação dos professores e cadernos de apoio que propõe atividades em sala de aula. Depois, há uma oficina com educadores no centro de educação ambiental, e o estudo do meio com visita ao aterro sanitário pelos alunos. Por fim, há o retorno para a sala de aula para compartilhar o aprendizado. “Hoje já realizamos oficinas em mais de 80 cidades, e estimo que já atingimos mais de 180 mil pessoas só neste programa”, comemora Paulino.

A atuação e o sucesso de resposta das formações ao longo das operações criaram uma nova demanda: dialogar sobre o consumo. “Falávamos muito de resíduo, e para introduzir as questões sobre isso era necessário falar sobre consumo”, explica Alciana, “isso propiciou muitos diálogos, estudos e aprendizados na academia e na escola, tendo sido bastante enriquecedor para todos os envolvidos”, finaliza.

A questão do consumo então desdobrou-se em estudos baseados em ciências sociais, antropologia e sociologia, que originaram ciclos de encontros e workshops com especialistas na área. “Falar sobre consumo com um público que não é classe média, é um desafio muito grande”, coloca a gestora, “o discurso que mais encontramos no Terceiro Setor é a mitigação do consumo, mas como falar disso quando as famílias dos alunos do ensino fundamental vivem uma ascensão econômica e maior acesso a bens de consumo? ”, pergunta-se, “como chegar nessa pessoa e falar ‘consuma menos‘? Não fazemos isso. ” Por esses e outros motivos, as oficinas são pensadas para serem divertidas, com atividades desenvolvidas especificamente para cada faixa etária, pois é importante que a criança tenha uma experiência para que a causa a sensibilize.

Por fim, vale ressaltar que o Instituto Estre também nasceu durante o processo das Conferências Infanto-Juvenis pelo Meio Ambiente, programa do governo já descontinuado, mas que realizou quatro edições nos anos de 2003, 2006, 2009 e 2013. “Foi uma potência, porque esses espaços começaram a criar coletivos jovens de educação ambiental no país inteiro”, celebra a gestora pedagógica. Também em resposta às demandas dessas conferências, foi implantado o projeto Escolas Sustentáveis pelo Instituto Estre.

Hoje, internamente, no que diz respeito à gestão, busca-se a horizontalidade, a gestão coletiva e compartilhada, que acaba tendo efeitos positivos sobre o programa de estágio do Instituto Estre. Além das oficinas, este programa propicia aos estudantes uma verdadeira imersão na gestão, que gera o sentimento de pertencimento e torna o ambiente muito agradável desde o ingresso na equipe. “Eles entram como estagiários, passam a ser assistentes de projetos, e então analistas de projetos, até chegarem ao cargo de coordenação”, explica Alciana.